Cansado até os deuses que não são

Cansado até os deuses que não são


Cansado até os deuses que não são... Ideais, sonhos... Como o sol é real
E na objetiva coisa universal Não há o meu coração... Eu ergo a mão.
Olho-a de mis, e o que ela é não sou eu. Entre mim e o que sou há a escuridão. Mas o que são isto a terra e o céu ?
Houvesse ao menos, visto que a verdade É falsa, qualquer coisa verdadeira

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Caminho a teu lado mudo

Caminho a teu lado mudo


Caminho a teu lado mudo Sentes-me, vês-me alheado ...
Perguntas: Sim... Não ... Não sei... Tenho saudades de tudo...
Até, porque está passado, Do próprio mal que passei.
Sim, hoje é um dia feliz. Será, não será, por certo Num princípio não sei que Há um sentido que me diz
Que isto — o céu longe e nós perto É só a sombra do que é ...

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Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa

Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa


Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa, Substitui o calor.
P'ra ser feliz tanta coisa é precisa.
Este luzir é melhor.
O que é a vida? O espaço é alguém pra mim.
Sonhando sou eu só.
A luzir, em quem não tem fim E, sem querer, tem dó.
Extensa, leve, inútil passageira, Ao roçar por mim traz

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Cai chuva do céu cinzento

Cai chuva do céu cinzento

Cai chuva do céu cinzento Que não tem razão de ser. 

Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza Acrescentada à que sinto.
 Quero dizer-ma mas pesa O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente Não sei se estou triste ou não, E a chuva cai levemente (Porque Verlaine consente) Dentro do meu coração.

Fernando Pessoa
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Brincava a criança

Brincava a criança

Brincava a criança Com um carro de bois. Sentiu-se brincado
E disse, eu sou dois !
Há um brincar
E há outro a saber, Um vê-me a brincar E outro vê-me a ver.
Estou atrás de mim Mas se volto a cabeça Não era o que eu qu'ria A volta só é essa...
O outro menino
Não tem pés nem mãos Nem é pequenino
Não tem mãe ou irmãos.

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Bóiam farrapos de sombra

Bóiam farrapos de sombra


Bóiam farrapos de sombra Em torno ao que não sei ser.
É todo um céu que se escombra Sem me o deixar entrever.
O mistério das alturas
Desfaz-se em ritmos sem forma Nas desregradas negruras Com que o ar se treva torna.
Mas em tudo isto, que faz O universo um ser desfeito,
Guardei, como a minha paz,
A 'sp'rana, que a dor me traz, Apertada contra o peito.

Fernando Pessoa
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Bem, hoje que estou só e posso ver

Bem, hoje que estou só e posso ver


Bem, hoje que estou só e posso ver Com o poder de ver do coração
Quanto não sou, quanto não posso ser, Quanto se o for, serei em vão,
Hoje, vou confessar, quero sentir-me Definitivamente ser ninguém,
E de mim mesmo, altivo, demitir-me Por não ter procedido bem.
Falhei a tudo, mas sem galhardias, Nada fui, nada ousei e nada fiz,

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Basta Pensar em Sentir

Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. 

Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. 
Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa
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Como uma voz de fonte que cessasse

Como uma voz de fonte que cessasse


Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
Se admiraram), p'ra além dos meus palmares De sonho, a voz que do meu tédio nasce
Parou... Apareceu já sem disfarce De música longínqua, asas nos ares, O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma pasce...

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As nuvens são sombrias

As nuvens são sombrias

As nuvens são sombrias


As nuvens são sombrias Mas, nos lados do sul, Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento, Sem haver solução,
Há um bocado que lembra Que existe o coração.
E esse bocado é que é A verdade que está A ser beleza eterna Para além do que há. 

Fernando Pessoa
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