IV - Cem Sonetos de Amor

IV - Cem Sonetos de Amor

Recordarás aquela quebrada caprichosa de onde os aromas palpitantes treparam, de quando em quando um pássaro vestido com água e lentitude: traje do inverno.
Recordarás dos dons da terra: irascível fragrância, barro de ouro, ervas do matagal, locas raízes, sortilégios espinhos como espadas.
Recordarás o ramo que te trouxe, ramo de sombra e água com silêncio, ramo como uma pedra com espuma.
E aquela vez foi como nunca e sempre: vamos ali donde no espera nada
e falamos tudo o que está esperando.


Pablo Neruda
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As lentas nuvens fazem sono

As lentas nuvens fazem sono


As lentas nuvens fazem sono, O céu azul faz bom dormir. Bóio, num íntimo abandono, À tona de me não sentir.
E é suave, como um correr de água, O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa. Minha alma é aquilo que não tem.
Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo... E só em sono eu vou primeiro. E só em sonho eu vou seguindo.


Fernando Pessoa
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Amavisse

Amavisse

Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
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