AMOR E ÓDIO

em quarta-feira, 1 de novembro de 2017


Disse uma mulher a um homem:
— Eu te amo.
E o homem respondeu:
— Está em meu coração ser digno de teu amor.
E a mulher disse:
— Não me amas?
O homem apenas olhou-a fixamente e se calou.
Então a mulher bradou:
— Eu te odeio!
E o homem disse:
— Pois, então, está em meu coração ser digno de teu ódio.
ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Eu disse a um amigo:
— Tu a vês inclinada nos braços daquele homem.
Ainda ontem, ela inclinava-se nos meus.

E meu amigo disse:
— E amanhã estará nos meus.
Eu disse:
— Contempla-a sentada junto a ele. Ainda ontem, ela se sentava ao meu lado.
E ele respondeu:
— Amanhã, ela se sentará junto a mim.
Eu disse:
— Vê, ela bebe vinho de seu cálice e ontem bebia do meu.
E ele disse:
— E, amanhã, do meu cálice.
— Observa como ela o contempla com amor e os olhos entregues. Ainda ontem, ela me contemplava assim.
— Amanhã, ela me contemplará assim.
Perguntei:
— Tu não a ouves murmurar cantigas de amor nos ouvidos dele? São as mesmas cantigas de amor que ela ontem murmurava nos meus ouvidos.
E meu amigo respondeu:
— E amanhã ela as sussurrará nos meus.
Eu disse:
— Então, vê: ela o abraça. E ainda ontem ela me abraçava.
E meu amigo disse:
— Amanhã, ela me abraçará.
Então eu disse:
— Que mulher estranha!
Mas ele respondeu:
— Ela é como a vida, possuída por todos os homens. E, como a morte, ela conquista todos os homens. E, como a eternidade, envolve todos os homens.

Autor Gibran K Gibran

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