Inscrição

em sábado, 25 de novembro de 2017



Trágica menina
escondendo a sina
em placidez de água parada.
Trágica princesa
de um reino de dois andares
azuis,
mimada até a ponta das unhas
que se fincariam na pele
do frustrado viver.
Trágica madona
quatrocentista municipal,
hermética,
fugindo a denunciar as lanças cravadas
no alabastro palpitante.
Trágica três vezes,
três vezes muda,
sem despedida; coragem.

Carlos Drummond de Andrade

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