Soneto do Amor Total

em domingo, 19 de novembro de 2017

Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade… 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 
Amo-te como um bicho, simplesmente, 
De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
 É que um dia em teu corpo de repente
 Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes


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