LEMBRANÇAS

em domingo, 22 de abril de 2018


Andei muitos dias pela escuridão, lembrando da minha última noite de amor, procurando uma saída do labirinto que me propus a desvendar, esquecendo dos demônios que colocaste lá para me fazer desistir de conquistar aquilo que deveria ser meu prêmio e meu martírio.
Conquistei seus olhos verdes, com a beleza das flores e seu pensamento com a sutileza das palavras, mas não encontrei o caminho mais próximo que me levaria ao teu coração.
Hoje me encontro aqui perdida em pensamentos tolos, sonhando com algo que nunca senti, talvez por que me deste a certeza de nunca estar ao meu lado, mas falaste de amor como um poeta.
Acariciei as flores em angústia, na vontade reprimida de te esquecer, dormi com os pássaros, assoviando canções de ninar, como quem coloca anjos para dormir, assim me recolhi em pensamentos sóbrios de uma vida desmedida em busca de um amor incompleto.
Retirei de você um amor inexiste e compreendi, que o caminho só me fez chegar até aqui, por que a ilusão me acompanhava na certeza de te encontrar no final.
Descobri como Hércules, que o amor nos encontra, mesmo quando estamos fechados para outras possibilidades, assim caminharei sem interrogações de tudo que perdi ou nunca conquistei, apenas admirando a beleza de voltar a ver a luz...
Enola/Lilith (2002)

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