Soneto LXVI

em segunda-feira, 23 de julho de 2018


Não te quero senão porque te quero,

e de querer-te a não te querer chego,

e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do

frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,

Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.



 Pablo Neruda  - Cem Sonetos de Amor


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