COSMOGONIA

em sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Nem treva nem caos. A treva

Requer olhos que vêem, como o som.

E o silêncio requer o ouvido,

O espelho, a forma que o povoa.
Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita
O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.
O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,
Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.
Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.


Jorge Luis Borges


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