INICIAÇÃO DO PRISIONEIRO

em terça-feira, 11 de setembro de 2018


(Poema escrito a 21 de novembro de 1965, numa cela do Quartel da Polícia

do Exército, no Rio de Janeiro, ao qual o autor foi recolhido por haver participado de uma manifestação contra a ditadura, em frente ao Hotel Glória, no instante mesmo em que ali chegava o ditador para inaugurar a Conferência
da OEA. Desse protesto participaram, entre outros, os companheiros Antônio
Callado, Jayme de Azevedo Rodrigues, Carlos Heitor Cony, Márcio Moreira
Alves, Flávio Rangel, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Mário
Carneiro, todos eles presos — e aos quais é dedicado este poema.)


É preciso que Amor seja a primeira
palavra a ser gravada nesta cela.
Para servir-me agora e companheira
seja amanhã de quem precise dela.
Não sei o que vai vir, mas se desprende
dessa palavra tanta claridão,
que com poder de povo me defende
e me mantém erguido o coração.

No muro sujo, Amor é uma alegria
que ninguém sabe, livre e luminosa
como as lanças de sol da rebeldia,
que é amor, é brasa e de repente é rosa.


 Thiago de Mello

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