NO CORPO FEMININO

em segunda-feira, 27 de novembro de 2017

No corpo feminino, esse retiro 
- a doce bunda - é ainda o que prefiro.

A ela, meu mais íntimo suspiro,

Pois tanto mais a apalpo quanto a miro.
Que tanto mais a quero, se me firo
Em unhas protestantes, a respiro

A brisa dos planetas, no seu giro

Lento, violento... Então, se ponho tiro
A mão em concha - a mão, sábio papiro,
Iluminando o gozo, qual lampiro.
Ou se, dessedentado, já me estiro,
Me penso, me restauro, me confiro,
O sentimento da morte ei que adquiro:
De rola, a bunda torna-se vampiro.

Carlos Drummond de Andrade

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