HORIZONTE VAZIO

em domingo, 11 de novembro de 2018


Horizonte vazio em que nada resta

Dessa fabulosa festa

Que um dia te iluminou.
As tuas linhas outrora foram fundas e vastas,

Mas hoje estão vazias e gastas
E foi o meu desejo que as gastou.
Era do pinhal verde que descia
A noite bailando em silenciosos passos,
E naquele pedaço de mar ao longe ardia
O chamamento infinito dos espaços.

Nos areais cantava a claridade,
E cada pinheiro continha
No irreprimível subir da sua linha
A explicação de toda a heroicidade.

Horizonte vazio, esqueleto do meu sonho,
Árvore morta sem fruto,
Em teu redor deponho
A solidão, o caos e o luto.

Sophia de Mello Breyner Andresen 

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