MULHERES À BEIRA-MAR

em quinta-feira, 15 de novembro de 2018


Confundido os seus cabelos com os cabelos

do vento, têm o corpo feliz de ser tão seu e

tão denso em plena liberdade.
Lançam os braços pela praia fora e a brancura

dos seus pulsos penetra nas espumas.
Passam aves de asas agudas e a curva dos seus
olhos prolonga o interminável rastro no céu
branco.
Com a boca colada ao horizonte aspiram longa-
mente a virgindade de um mundo que nasceu.
O extremo dos seus dedos toca o cimo de
delícia e vertigem onde o ar acaba e começa.
E aos seus ombros cola-se uma alga, feliz de
ser tão verde.

Sophia de Mello Breyner Andresen 

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