PÁTRIA

em quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência

Que a miséria longamente desenhou

Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento


E pela limpidez das tão amadas

Palavras sempre ditas com paixão

Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas


- Pedra rio vento casa

Pranto dia canto alento

Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro


Me dói a lua me soluça o mar

E o exílio se inscreve em pleno tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

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