TRISTÃO E ISOLDA

em sábado, 10 de novembro de 2018


Sobre o mar de Setembro velado de bruma

O sol velado desce

Impregnando de oiro a espuma
Onde a mais vasta aventura floresce.
Tristão e Isolda que eu sempre vi passar

Num fundo de horizontes marítimos

Trespassados como o mar
Pela fatalidade fantástica dos ritmos
Caminham na agonia desta tarde
Onde uma ânsia irmã da sua arde.

Tristão e Isolda que como o Outono,
Rolando de abandono em abandono,
Traziam em si suspensa
Indizivelmente a presença
Extasiada da morte.

Sophia de Mello Breyner Andresen 

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