TU DORMES EMBALADO

em terça-feira, 6 de novembro de 2018


Tu dormes embalado nos rochedos 

E aos meus ouvidos vem falar o vento 

Escuto, busco, chamo e não respondes, 
E todo o mundo se tornou fantasma. 
Estou fechada, suspensa, prisioneira 
Queria voltar para fora, para o dia 

Ressurgir, respirar, tornar a ver, 
Mas todo o mundo se tornou fantasma. 

E a voz do mar encheu o céu e a terra 
Uma voz que está cheia e que se quebra 
E nunca mais acaba. 

Pássaros brancos cortam as janelas, 
Anémonas cintilam nos rochedos: 
Terror de estar sozinha e de escutar 
Com este tempo morto entre os meus dedos. 

Sophia de Mello Breyner Andresen 

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