Antevendo o que virá

em quarta-feira, 26 de agosto de 2020




Antevendo o que virá


Seja esta série esdrúxula de versos a senha

de quem os verseja a sério

mas sem qualquer sanha cientificista contra as velhas bruxarias da lírica, ou (de novo assim) seja:


se a M e o H

que lerem o anônimo LM que se arrisca nas páginas seguintes

souberem como o célebre e conservador Max Planck


em 1900 plantou no jardim do saber a semente do quantum

ou a noção inovadora de dar nó

de que a energia varia de modo descontínuo no mundo dos nossos átomos

e dos seus moradores subatômicos, obrigando os atônicos habitantes de carne, sangue e ossos

do universo aqui de cima

a ter que imaginar quase em desvario que do 1 alguém chega ao 3

sem passar pelo 2 intermediário e assim por diante

no curso desta analogia

que desconcerta o agora coitado cotidiano que nos cabe –

se os bem sabidos H e M

forem versados no quase barroquismo de que o quantum ou a quantidade mínima-discreta-descontínua de energia é vista como serpente

de duas cabeças um tanto quanto contraditórias

que tonteia os mais sábios

quando se refere à luz e à matéria –


se MH ora abraçados

afiarem juntos os seus saberes sobre a dualidade onda-partícula

imaginada acima como cobra bicéfala

saindo de verbete do Houaiss e de livros de física com uma língua que afirma

ser a partícula mais ou menos o que se localiza feito um pingo-no-i no espaçotempo –

e a outra língua dizendo

ter a onda nem menos nem mais

que a verborrágica propriedade de se espalhar muito rápido

por uma cidade ou mesmo o cosmo com(o) um conjunto

de possibilidades de ser –


se HM andarem cientes de que isto afinal é a matéria de que fomos feitos

dentro da luz com a qual a dita matéria interage, quer quando agimos


quer quando parecemos estar fazendo nada com as nossas ações potenciais –

se M brigando com H

e H desconversando com M

(os sabres dos saberes nas mãos de ambos) entenderem como Niels Bohr batizou esta barafunda Princípio da Complementaridade

(opa:

“Opostos são complementares”) fazendo dele um brasão em latim

com o desenho chinês do yin-yang no centro da coisa quando o fizeram cavaleiro na Dinamarca –


H e M de novo amigados

(passado o pior do complexo convívio do casal) serão leitores dos textos abaixo

também manuseando com paciência outros dados que ali buscam valer um bocado ao pé da letra

(Craig, Heisenberg, nazis, Popper, 3 mundos, etc.)

– e por favor

logo após irão explicar ao LM

se noves fora resta algum sentido razoável nestas estrofes estapafúrdias

de onde saltam uns novos “ses” rabiscados com muito des temor.


LINO MACHADO

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