Soneto - II

em segunda-feira, 31 de agosto de 2020


Quando tiveres completado teus quarenta anos, E cavado sulcos profundos onde agora és bela,

Essa tua juventude tão orgulhosa, que agora todos fitam maravilhados, Será somente um resto pisoteado, a que ninguém mais se virará para ver; Então, indagada sobre que beleza era aquela,

Que tesouro aquele de teus dias encantadores,

Dizer que se encontram afundados nos teus olhos já opacos, Isso seria ridículo e um elogio que ninguém entenderia.

Poderias merecer mais elogios,

Caso pudesses dizer, — “Esse meu filho

Resume toda minha reputação, e com isso me desculpa,”— Provando com sua beleza tua herança!

Isso seria te sentires renovada quando ficares velha, E ver teu sangue quente, ao senti-lo já gelado. 

William Shakespeare

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