Soneto III

em sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 


Olha bem teu espelho e diga que rosto fitas ali,

O momento chegou em que esse rosto devesse formar um outro; Cujo frescor, se não o renovares agora,

Trapacearias o mundo, tornando aquela mãe que o deveria ser, uma infeliz! Pois quem não gostaria de ser filho teu?

Ou quem é aquele que se adore tanto,

Que possa ser o túmulo da auto-estima, detendo a posteridade? Tu és o retrato de tua mãe, e ela em ti,

Relembra a linda primavera de seus melhores dias: Dessa maneira, verás pela janela dos anos,

Tua época dourada, apesar das rugas,

Mas se viveres, lembrada para não ter posteridade, Morre solteira, e nesse caso tua imagem morre contigo.

 

William Shakespeare

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